Resgate na Tailândia deixa lição ao jornalismo

Resgate na Tailândia deixa lição ao jornalismo

O mundo todo acompanhou o resgate do pequeno time de futebol e do seu técnico na Tailândia, dividindo as atenções com a Copa do Mundo na Rússia. Além das lições de vida óbvias que o caso deixou para todo o mundo em questão de superação e organização, o mundo do jornalismo também precisa acordar para o que aconteceu.

 A corrida pela notícia nunca acaba. É claro que, atualmente, todo mundo quer ser o primeiro a postar no seu Twitter o que está acontecendo em tempo real ou transmitir até mesmo ao vivo para milhares de seguidores. No resgate da Tailândia, contudo, os jornalistas mais famintos viram-se contidos pelas autoridades. O motivo? Respeito às famílias, principalmente.

 Enquanto os jornalistas tentavam de todas as formas desvendar o nome de cada um que era resgatado, as autoridades negavam-se a revelá-los. Mais tarde descobriu-se que essa medida foi adotada com respeito às famílias que as crianças ainda não haviam sido retiradas do local onde estavam presas. Em uma exceção em momentos como esse, os nomes realmente não “vazaram”. Nenhum jornal apareceu com o grande furo: “extra, extra, temos os nomes de quem já foi salvo”. Não, dessa vez isso – felizmente – não aconteceu.

 Essa situação faz pensar mais uma incansável vez sobre os limites do jornalismo. Sobre o respeito às vítimas, especialmente, como ensinou a Tailândia: se alguém está sofrendo, você respeita. Isso é mesmo importante? Sim! O caso de um jornalista que tentou gravar com drone imagens da entrada da gruta onde estavam as crianças e o treinador prova isso. Obviamente, ele foi detido.

 Agora, pense nas consequências que essa atitude poderia ter causado. Se uma das crianças, por exemplo, estivesse desesperada ou até em estado grave e o jornalista captasse qualquer cena com o drone espalhando para o mundo? Onde está o respeito à dor das famílias? Onde está o limite?

 Essa discussão não é nova. Por todas as salas de aulas da faculdades de jornalismo ela se repete a todo momento: onde está a ética? Ah, a velha ética… Aquela que, na maioria dos casos, termina-se a faculdade concluindo que ela é “utópica”.

 Casos como o resgate da Tailândia são extremos, é claro, mas isso pode ser colocado em uma dimensão mais “habitual”, por exemplo. Quantos profissionais não recebem ligações dos seus editores para que acompanharem algum enterro e ainda saiam de lá com uma declaração de algum dos familiares, não importa como?

 A Tailândia, mesmo sem querer envia um recado bem simples ao jornalismo: empatia. Quanto mais, melhor!

Por: Camila Costa, Jornalista, Reverso Comunicação